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Correção Atualizado em 9 de maio de 2026

As 5 competências da redação ENEM explicadas com exemplos

Veja o que cada competência da redação ENEM avalia, como elas se conectam e quais erros práticos podem afetar sua nota final.

Por Equipe Redafy

Quadro de avaliação com cinco competências da redação do ENEM

As cinco competências da redação do ENEM não são cinco assuntos separados. Elas formam uma matriz para avaliar se o participante consegue escrever um texto dissertativo-argumentativo em modalidade formal, compreender a proposta, defender um ponto de vista, organizar argumentos, usar mecanismos de coesão e propor uma intervenção social respeitando os direitos humanos.

Segundo a Cartilha do Participante do INEP, cada avaliador atribui de 0 a 200 pontos em cada competência. A soma pode chegar a 1000 pontos, e a nota final considera o processo de correção descrito no documento oficial. Por isso, entender as competências ajuda a estudar com mais precisão: em vez de perguntar apenas “minha redação está boa?”, você passa a perguntar “qual parte do texto está limitando minha nota?”.

Este texto complementa o nosso guia das 5 competências do ENEM com exemplos comentados de cada competência. Se você ainda não viu o overview da grade de correção e o que cada competência cobra, comece por lá — este post serve para aprofundar com casos práticos da banca. Para estudar uma competência específica em detalhes, veja também Competência 1 no ENEM: erros de norma culta que derrubam nota e Competência 5 no ENEM: proposta de intervenção completa.

Competência 1: domínio da escrita formal

A Competência 1 avalia a modalidade escrita formal da língua portuguesa. Isso envolve ortografia, acentuação, pontuação, concordância, regência, escolha vocabular, registro e construção sintática. Mas ela não se resume a “não errar gramática”. A Cartilha destaca que a estrutura sintática também faz parte da avaliação, porque frases truncadas, períodos confusos e relações mal construídas prejudicam a leitura.

Exemplo de problema: “Diante disso, a população que sofre com a falta de acesso, sendo uma questão que precisa de solução.” A frase fica incompleta e força o leitor a reconstruir o sentido. Uma versão mais clara seria: “Diante disso, a falta de acesso afeta diretamente a população vulnerável e exige uma resposta institucional.”

Na C1, revisar é essencial. O estudante deve procurar frases longas demais, vírgulas separando sujeito e verbo, troca de palavras parecidas e marcas de oralidade incompatíveis com o registro formal.

Competência 2: tema, tipo textual e repertório

A Competência 2 observa se o participante compreendeu a proposta, respeitou o tipo dissertativo-argumentativo em prosa e usou repertório sociocultural de modo produtivo. É aqui que aparecem problemas como fuga ao tema, tangenciamento e repertório decorativo.

Se o tema pede discutir desafios para valorizar a herança africana no Brasil, não basta escrever genericamente sobre racismo ou cultura. Esses assuntos podem entrar, mas precisam ser conectados ao recorte da proposta. O texto deve responder ao tema apresentado.

Também não basta citar uma fonte. O repertório precisa ser pertinente e usado para desenvolver o argumento. Uma citação sobre direitos culturais, por exemplo, só ajuda se o parágrafo explicar como a ausência de valorização afeta cidadania, memória ou reconhecimento social.

Para aprofundar, leia Competência 2 no ENEM: tema, repertório e fuga ao assunto e Repertório sociocultural no ENEM: escolha e uso certo.

Competência 3: projeto de texto

A Competência 3 avalia a seleção, relação, organização e interpretação de informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. Em linguagem simples: ela mede se a redação tem projeto de texto.

Um texto com projeto claro apresenta tese, argumentos diferentes e progressão. Um texto fraco na C3 pode até ter repertório, mas não mostra relação entre as partes. O estudante começa falando de educação, passa para mídia, menciona governo e conclui com conscientização sem explicar como tudo se conecta.

Exemplo de avanço: no primeiro desenvolvimento, o autor mostra uma causa institucional; no segundo, mostra uma consequência social; na conclusão, propõe intervenção ligada à causa. Essa sequência cria unidade.

Veja o guia específico em Competência 3 no ENEM: projeto de texto e progressão.

Competência 4: coesão

A Competência 4 avalia os mecanismos linguísticos necessários para construir a argumentação. Ela não premia apenas quantidade de conectivos. O ponto é a articulação entre frases, períodos e parágrafos.

Um erro comum é usar conectores como decoração: “Portanto” no começo de um parágrafo que ainda não conclui nada, “Ademais” para repetir a mesma ideia ou “Outrossim” sem necessidade. A coesão boa orienta o leitor. Ela mostra soma, oposição, causa, consequência, exemplificação ou conclusão quando essas relações realmente existem.

Também há coesão por retomada: pronomes, sinônimos, expressões equivalentes e repetição controlada. Em vez de repetir “problema” em toda linha, o texto pode alternar com “esse cenário”, “tal obstáculo” ou o nome específico da questão.

Leia mais em Competência 4 no ENEM: coesão sem exagerar nos conectores.

Competência 5: intervenção

A Competência 5 avalia a proposta de intervenção para o problema abordado, com respeito aos direitos humanos. Uma proposta completa costuma apresentar agente, ação, meio ou modo, finalidade e detalhamento. Mais importante: ela precisa responder ao diagnóstico feito no desenvolvimento.

Se o texto argumenta que o problema ocorre por falhas educacionais, a intervenção deve atingir esse ponto. Se a causa discutida é ausência de fiscalização, a proposta precisa lidar com fiscalização. Propostas genéricas como “o governo deve conscientizar a população” raramente demonstram planejamento suficiente.

Uma versão mais completa indica quem age, o que será feito, como, para quê e com qual detalhe operacional. Essa especificidade mostra que a conclusão não foi colada no texto; ela nasceu da análise.

Como estudar por competência

Estudar por competência evita treino cego. Em uma semana, foque C1 e revise apenas clareza sintática. Na outra, avalie se seus repertórios realmente desenvolvem o tema. Depois, observe progressão, coesão e intervenção. Esse método torna a melhora mais mensurável.

Também ajuda comparar redações próprias. Pegue dois textos e marque: tese, argumento 1, argumento 2, repertórios, conectivos principais e elementos da intervenção. Se você não consegue localizar esses itens, o avaliador também terá dificuldade.

As cinco competências não são uma burocracia. Elas descrevem o que uma redação eficiente precisa fazer: comunicar com correção, responder ao tema, argumentar com organização, conectar ideias e propor uma resposta viável ao problema.

Fontes consultadas

Perguntas frequentes

Quanto vale cada competência da redação do ENEM?
Cada uma das 5 competências vale de 0 a 200 pontos, com pesos iguais. A soma das cinco fecha em 1000 pontos. A nota final é resultado da correção colegiada: dois avaliadores leem o texto de forma independente e um terceiro entra em caso de divergência relevante.
É possível tirar zero em uma competência e passar nas outras?
Sim, mas o impacto é grande: zerar uma competência reduz drasticamente o total. Desrespeito aos direitos humanos na proposta de intervenção, por exemplo, zera C5 sem zerar as demais competências. Já fuga ao tema e não atendimento ao tipo dissertativo-argumentativo são casos de nota zero total, fora da simples pontuação por competência.
Qual é a competência mais difícil de subir nota?
Estatisticamente, C3 (projeto de texto) e C5 (proposta de intervenção) são as que mais derrubam para nível 160. C3 exige progressão argumentativa visível entre os parágrafos; C5 exige cinco elementos articulados na proposta. Ambas dependem de planejamento antes da escrita, não apenas de revisão depois.
Como identificar qual competência mais derruba minha nota?
Pegue duas ou três redações já corrigidas e olhe a distribuição: a competência com menor nota recorrente é o gargalo. Se a média for parecida nas cinco, comece pelos erros que aparecem com mais frequência nos comentários do corretor — geralmente C1 (norma culta) ou C4 (coesão), que são as mais técnicas.
Estudar competência por competência é melhor que treinar redação inteira?
Combinar os dois rende mais. Treine uma competência em isolado por semana (por exemplo, reescrevendo só propostas de intervenção de redações antigas para fortalecer C5) e faça uma redação inteira por quinzena para integrar tudo. Isolar competência sem prática integrada não consolida; só prática integrada sem foco em gargalo demora a evoluir.