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ENEM Atualizado em 11 de maio de 2026

Redação ENEM 2025 com gabarito comentado: envelhecimento no Brasil

Análise do tema oficial do ENEM 2025 — 'Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira' — com leitura do recorte, textos motivadores, repertório produtivo, tese-modelo, proposta-modelo e erros recorrentes.

Por Equipe Redafy

A redação do ENEM 2025 trouxe o tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, aplicada em 9 de novembro de 2025 no primeiro dia do exame. Foi o primeiro tema do exame a centrar diretamente o envelhecimento como recorte, em uma edição cuja coletânea articulou dados demográficos do Censo 2022, símbolo de vaga reservada, referências culturais, trabalho na terceira idade e um trecho de Clarice Lispector. Este post comenta o tema sob o ângulo da correção: como ler o recorte, como construir repertório produtivo, que tese-modelo rende, que proposta atende à Competência 5 e quais erros recorrentes consumiram pontuação.

Para situar a edição dentro do padrão histórico do exame, veja Temas que caem na redação ENEM: histórico de 1998 a 2025. Para o método geral de leitura de tema e exigência implícita da banca, Cartilha do Participante do ENEM: o que diz sobre a redação e Competência 2 no ENEM: tema, repertório e fuga ao assunto.

Leitura do recorte oficial

A frase do tema tem três partes-chave que orientam o que precisa estar na redação:

  • “Perspectivas” — substantivo mais aberto que “desafios”. Admite leitura sobre o lugar da pessoa idosa na sociedade, sobre o envelhecimento populacional como processo demográfico, sobre representações culturais e também sobre obstáculos a serem enfrentados. Quem reduziu “perspectivas” a “desafios” entregou redação válida, mas estreitou o leque argumentativo.
  • “Envelhecimento” — recorte sobre o processo (demográfico, biológico, social, cultural), não apenas sobre a pessoa idosa em sentido pontual. Demografia (Censo 2022), direitos (Estatuto), cultura (etarismo, invisibilidade), saúde (Década do Envelhecimento Saudável da OMS) e vínculos (isolamento, cuidado) entram no escopo.
  • “Na sociedade brasileira” — exige aplicação ao Brasil, não tratamento universal. Dado, marco legal e agente da proposta precisam ser brasileiros. Tema universal sem amarração ao país é tangenciamento em C2.

Recortes que não atendem o tema: aposentadoria/Previdência em sentido estritamente econômico (orçamento, fator previdenciário, déficit) sem articulação ao envelhecimento como processo social; saúde geriátrica em sentido estritamente médico sem camada de direitos; envelhecimento como fenômeno individual (“envelhecer com saúde”) sem dimensão social brasileira.

Coletânea de textos motivadores

A prova trouxe seis textos motivadores, cuja função é ancorar o repertório mínimo e direcionar o recorte:

  • Texto I — gráfico do Estadão com dados do Censo Demográfico 2022 do IBGE: a população de 65 anos ou mais chegou a 10,9% em 2022, crescimento de 57,4% em relação a 2010; o mesmo texto menciona a definição legal de pessoa idosa como aquela com 60 anos ou mais.
  • Texto II — símbolo de vaga reservada para pessoa idosa, funcionando como pista visual sobre prioridade, acessibilidade e presença desse grupo no espaço público.
  • Texto III — fala de Rita Lee sobre Fernanda Montenegro aos 95 anos, sugerindo longevidade, admiração pública e representação cultural da velhice.
  • Texto IV — reportagem do G1 sobre pessoas idosas como mantenedoras do comércio, acompanhada de gráfico sobre trabalho na terceira idade.
  • Texto V — trecho do livro “Onde Estivestes de Noite” de Clarice Lispector, tematizando a velhice/invisibilidade.
  • Texto VI — sinopse do documentário “Quantos dias, quantas noites”, reforçando a dimensão cultural e biográfica do envelhecimento.

A regra prática: a coletânea fornece o ponto de partida, não o repertório completo. Apoiar-se apenas nos textos motivadores tende a limitar a Competência 2, porque o repertório fica baseado na própria prova. Acrescentar repertório próprio — pensador, dado externo, marco legal nominal — aumenta a chance de alcançar os níveis mais altos quando esse repertório é pertinente e produtivo.

Repertório produtivo por categoria

Dados oficiais (IBGE e gov.br)

  • Censo 2022: 31,2 milhões de pessoas com 60 ou mais anos = 14,7% da população brasileira (fonte: IBGE).
  • Variação 2012-2021: aumento de 39,8% no número de pessoas idosas no Brasil.
  • Posição internacional: Brasil é o sexto país com mais pessoas idosas (atrás de China, Índia, EUA, Japão, Rússia).
  • Distribuição regional: 60+ são 16,6% no Sudeste, 16,2% no Sul, 9,9% no Norte.

Para método de uso de dados oficiais, veja Dados do IBGE para redação ENEM.

Marcos legais brasileiros

  • Estatuto da Pessoa Idosa — Lei nº 10.741/2003, atualizada pela Lei nº 14.423/2022 (que substituiu “idoso” por “pessoa idosa” em todo o texto legal).
  • Constituição Federal de 1988, art. 230: “A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida.”
  • Política Nacional do Idoso — Lei nº 8.842/1994.
  • Lei 14.423/2022 — atualização terminológica do Estatuto (sinaliza, na própria escolha das palavras do tema “pessoa idosa”, o alinhamento da banca com essa atualização).

Para método de uso de marco legal, veja Direitos humanos na redação ENEM.

Pensadores

  • Simone de Beauvoir — “A Velhice” (1970): a sociedade que se recusa a reconhecer a velhice como parte da existência humana se recusa a reconhecer parte de si. Conceito de invisibilidade etária.
  • Norberto Bobbio — “O Tempo da Memória”: velhice como balanço crítico e exercício de memória, não como decadência.
  • Zygmunt Bauman — modernidade líquida: vínculos descartáveis aplicáveis ao isolamento da pessoa idosa em sociedades de consumo.
  • Hannah Arendt — vita activa: dignidade exige participação no espaço público, não tutela passiva — aplicável à autonomia da pessoa idosa.

Para método e cuidado na citação de pensadores, Filósofos que caem na redação ENEM.

Literatura

  • Clarice Lispector — “Onde Estivestes de Noite” (citada na coletânea, use com complemento — não apenas paráfrase).
  • Carolina Maria de Jesus — “Quarto de Despejo”: invisibilidade social aplicável à invisibilidade etária por analogia.
  • Conceição Evaristo — “Olhos d’Água”: cuidado, memória e velhice na vivência da mulher negra.

Para banco mais amplo, Livros para citar na redação ENEM.

Referências internacionais (com cautela)

  • OMS — Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030): programa internacional aplicado ao contexto brasileiro de envelhecimento populacional.
  • Convenção Interamericana sobre os Direitos Humanos das Pessoas Idosas (OEA, 2015): ratificada pelo Brasil.

Cuidado: referência internacional sem ponte ao Brasil é tangenciamento. Use sempre articulada ao recorte nacional.

Tese-modelo

A tese da introdução precisa cumprir três coisas: nomear o recorte do tema, sinalizar o que vai ser defendido e antecipar (sem detalhar) os eixos do desenvolvimento.

Exemplo de tese produtiva:

“O envelhecimento da população brasileira, intensificado nas últimas décadas conforme registra o Censo 2022 do IBGE, exige da sociedade leitura que vá além do registro demográfico. Apesar da existência do Estatuto da Pessoa Idosa, o Brasil ainda convive com etarismo cotidiano e invisibilidade institucional dessa população — fenômenos que comprometem a dignidade prevista no art. 230 da Constituição Federal. Cabe analisar o problema sob duas perspectivas: a permanência cultural do etarismo e a lacuna entre direitos formais e política pública integral.”

Movimentos da tese: contextualização demográfica → marco legal → problema (etarismo + lacuna) → encaminhamento de dois eixos. Para método de tese, Como começar uma redação ENEM com tese clara.

Proposta-modelo (Competência 5)

A Competência 5 exige proposta com cinco elementos: agente, ação, meio/modo, efeito e detalhamento. Falta de um zera o elemento; falta de detalhamento baixa o nível.

Exemplo de proposta produtiva:

“Diante do exposto, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em articulação com o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, promover campanha nacional permanente de combate ao etarismo, por meio de peças veiculadas em televisão aberta, plataformas digitais e material didático distribuído a escolas públicas, com o objetivo de desconstruir representações culturais que associam a velhice ao declínio e fortalecer a aplicação efetiva do Estatuto da Pessoa Idosa. O detalhamento contemplará linha de financiamento via Fundo Nacional do Idoso e indicadores anuais de impacto publicados pelo IBGE.”

Cinco elementos preenchidos: agente (Ministério + Conselho), ação (campanha), meio (peças + escolas), efeito (desconstrução + aplicação do Estatuto), detalhamento (financiamento + indicador). Para construção da proposta, veja Modelo de proposta de intervenção ENEM e Competência 5 no ENEM: proposta de intervenção completa.

Erros recorrentes nesse tema

Etarismo na própria redação. Tratar a velhice como sinônimo de declínio, usar “idoso” de modo pejorativo ou propor “tirar a pessoa idosa da rua” como se fosse problema a ser removido fragiliza a abordagem temática e pode comprometer C5 quando a proposta desrespeita o grupo. A própria coerência interna da redação é avaliada.

Confundir envelhecimento com Previdência. Recorte estritamente orçamentário (déficit previdenciário, fator previdenciário, reforma) sem articulação ao envelhecimento como processo social, demográfico e cultural é tangenciamento em C2. Previdência cabe como subponto, não como recorte central.

Repetir motivador sem ir além. Paráfrase do Censo 2022 ou de Clarice Lispector sem repertório próprio externo tende a limitar a Competência 2. Para chegar aos níveis mais altos, é preciso acrescentar pensador, dado externo ou marco legal não presente nos motivadores e usá-lo de modo produtivo.

Proposta com agente genérico. “A sociedade deve” ou “todos devem” pode ser aceito como agente em C5, mas costuma ficar frágil se a ação, o meio e o detalhamento não forem concretos. Sempre que possível, nomeie agente brasileiro com competência clara: ministério, conselho, escola pública, mídia, secretaria ou órgão público.

Universalizar o tema. Falar de envelhecimento como fenômeno mundial sem amarrar ao Brasil é tangenciamento. O recorte é “na sociedade brasileira” — dado, marco e agente precisam ser brasileiros.

Confundir cuidado com tutela. Propor que “a família cuide” da pessoa idosa sem dimensão de autonomia e participação fere a Competência 5 — Estatuto, CF/88 e Convenção da OEA defendem participação ativa, não tutela passiva.

Como a Cartilha 2025 contextualiza esse tema

A Cartilha do Participante ENEM 2025, publicada pelo INEP, trabalha amostras comentadas do ENEM 2024 (tema “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”) — não do próprio 2025. A Cartilha que comentará o tema 2025 com amostras será publicada em 2026, em geral entre setembro e outubro, e será a referência oficial para os candidatos do ENEM 2026.

Enquanto isso, o material disponível para estudo do tema 2025 é o espelho da redação (liberado pelo INEP para candidatos consultarem suas próprias provas com o detalhamento das competências) e as redações nota mil divulgadas voluntariamente por candidatos. Veja Como saber a nota da redação ENEM para o processo de consulta.

Como o Redafy comenta esse tema

A biblioteca de temas do Redafy mantém o tema ENEM 2025 disponível para treino, com correção que avalia cada uma das cinco competências separadamente e indica, no trecho específico da redação, o que rende e o que perde ponto. Para o tema de envelhecimento, o sistema sinaliza linguagem etarista, uso impreciso de dados da coletânea e propostas que confundem cuidado com tutela — erros que apareceram com frequência em quem treinou esse recorte sem leitura cuidadosa do Estatuto.

Perguntas frequentes

Qual foi o tema oficial da redação do ENEM 2025?
'Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira', tema aplicado em 9 de novembro de 2025 no primeiro dia de prova. Foi a 28ª edição da redação dissertativa-argumentativa do ENEM e o primeiro tema a tratar diretamente do envelhecimento como recorte central. A coletânea trouxe seis textos motivadores: dados do Censo 2022 sobre a população de 65 anos ou mais, símbolo de vaga reservada, fala de Rita Lee sobre Fernanda Montenegro, reportagem do G1 sobre trabalho na terceira idade, trecho de Clarice Lispector e sinopse de documentário. Fonte: Inep e caderno oficial de prova.
Por que o tema foi 'perspectivas' e não 'desafios'?
A escolha do substantivo muda o recorte. 'Desafios' (usado em 2017, 2022, 2023, 2024) direciona o candidato a apontar problemas e propor solução; 'perspectivas' (2025) é mais aberto — admite leitura sobre o lugar da pessoa idosa, sobre o envelhecimento populacional como processo, sobre representações culturais, e também sobre desafios. Quem leu 'perspectivas' como sinônimo de 'desafios' fez uma redação válida, mas reduziu o leque argumentativo. Quem articulou demografia, direitos e cultura aproveitou melhor a amplitude do recorte.
Quais dados do Censo 2022 cabem no tema?
O Texto I da prova destacava que a população de 65 anos ou mais chegou a 10,9% em 2022, com crescimento de 57,4% em relação a 2010, enquanto o grupo de até 14 anos caiu de 24,1% para 19,8%. Fora da coletânea, também cabem dados complementares do IBGE sobre pessoas com 60 anos ou mais, como os 31,2 milhões registrados no Censo 2022. O cuidado é diferenciar o dado que estava no texto motivador do dado externo usado como repertório próprio.
Que marco legal cabe na proposta de intervenção do tema 2025?
O principal é o Estatuto da Pessoa Idosa — Lei nº 10.741/2003, atualizada pela Lei nº 14.423/2022 (que substituiu as expressões 'idoso' por 'pessoa idosa'). O art. 230 da Constituição Federal de 1988 e a Política Nacional do Idoso (Lei nº 8.842/1994) também rendem. Para C5, o agente da proposta pode ser o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Ministério da Saúde, a sociedade civil, escolas (educação intergeracional), mídia (combate ao etarismo) e o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (CNDI).
Posso citar a Clarice Lispector se ela já apareceu nos textos motivadores?
Pode, com cuidado. Citar de novo a mesma obra do texto motivador sem ir além não soma — apenas reproduz. Funciona quando você complementa com outra obra da autora ou amarra a referência a um conceito que o texto motivador não explora. Em 2025, candidatos que articularam Lispector com o conceito de 'invisibilidade' apontado por Simone de Beauvoir em 'A Velhice' construíram pontes mais ricas que quem repetiu o trecho da coletânea. Outra estratégia: citar pensador distinto que dialogue com a temática do texto motivador, em vez de reaproveitar a fonte literal.
Quais erros foram mais comuns nesse tema?
Quatro recorrentes. (1) Etarismo na própria redação — tratar a velhice como sinônimo de declínio, usar 'idoso' de modo pejorativo ou propor 'tirar a pessoa idosa da rua' como se fosse problema a ser removido. (2) Confundir envelhecimento com aposentadoria/Previdência — recorte estritamente econômico não atende ao tema. (3) Repetir motivador sem ir além — paráfrase do Censo 2022 ou de Clarice sem repertório próprio tende a limitar C2. (4) Proposta com agente genérico — 'a sociedade' ou 'todos' podem ser frágeis se não houver ação, meio e detalhamento concretos.
Como o tema 2025 dialoga com o padrão histórico do ENEM?
Encaixa parcialmente. O ENEM dos últimos anos centrou em grupos vulnerabilizados (mulheres, religiões minoritárias, surdos, povos tradicionais, mulheres cuidadoras, herança africana). 2025 manteve o padrão de grupo (pessoa idosa) e direitos não plenamente efetivados (Estatuto que não se traduz em política pública integral), mas com substantivo mais aberto — 'perspectivas' em vez de 'desafios'. Veja [Temas que caem na redação ENEM: histórico de 1998 a 2025](/blog/temas-que-caem-na-redacao-enem-historico) para situar a edição dentro do padrão estrutural.