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ENEM Atualizado em 11 de maio de 2026

Exemplos de introdução de redação ENEM: 8 modelos comentados

Oito introduções de redação ENEM comentadas em detalhe — com repertório, sem repertório, com dado, com citação curta — e o que cada uma rende ou perde em correção oficial.

Por Equipe Redafy

Introdução de redação ENEM não tem fórmula única. Em redações nota 1000 publicadas pelo INEP, aparecem aberturas com repertório histórico, com dado oficial, com citação filosófica curta, com referência constitucional e — em muitos casos — sem repertório explícito. O que essas introduções têm em comum não é a estratégia de abertura: é a clareza da tese e a articulação com o desenvolvimento. Este post traz 8 exemplos comentados, cada um com análise do que rende em correção e o que custa caro se mal executado.

Para o método geral de construção da introdução, veja Como começar uma redação ENEM com tese clara e segura. Para os critérios de avaliação que pesam nesta parte do texto, Competência 3 no ENEM: projeto de texto e progressão.

Critério de comparação

Cada introdução abaixo é analisada em quatro pontos: contextualização (cumpre função sem ocupar linha demais?), apresentação do problema (delimita o recorte?), tese (responde à pergunta do tema com dois caminhos?) e articulação prevista com o desenvolvimento (a tese funciona como mapa?). A pontuação estimada considera a contribuição da introdução para as Competências 2, 3 e 4 — sabendo que a nota final depende também do desenvolvimento e da conclusão.

Modelo 1: sem repertório explícito

Tema: desafios para a valorização da herança africana no Brasil.

“No Brasil, a herança africana atravessa língua, religião, culinária e expressões artísticas que estruturam a identidade nacional. Apesar dessa presença, o reconhecimento dessa herança ainda enfrenta barreiras concretas. A persistência de lacunas no ensino básico e a baixa visibilidade dessa memória nos espaços de prestígio social explicam, em conjunto, por que a valorização permanece insuficiente.”

Análise: contextualização em uma frase, problema identificado na segunda, tese com dois argumentos na terceira. 5 linhas. Sem citação, sem dado — e ainda assim coerente. O recorte (“valorização da herança africana”) aparece de modo específico e a tese abre dois caminhos claros (lacunas educacionais + baixa visibilidade midiática).

Rendimento: nível 200 em C2 e em C3. Funciona quando o estudante tem repertório fraco ou quando o tempo aperta — não compromete nota por ausência de citação. O ENEM não exige repertório na introdução.

Modelo 2: com repertório histórico

Tema: democratização do acesso ao cinema no Brasil.

“A primeira exibição cinematográfica no Brasil, em 1896, no Rio de Janeiro, marcou o início de uma trajetória de difusão urbana e elitizada do cinema no país. Mais de um século depois, o acesso a salas e produções audiovisuais segue concentrado em capitais e em públicos de maior renda. Essa permanência é mantida pela ausência de políticas culturais sustentadas e pela concentração da exibição em grandes redes comerciais.”

Análise: repertório histórico curto (1 linha), ponte para o presente, tese com dois argumentos. O dado histórico (1896, Rio de Janeiro) ancora o tema sem virar narrativa longa. A tese identifica duas causas argumentáveis.

Rendimento: nível 200 em C2 e C3. O repertório só funciona porque é específico e curto. Se o estudante esticar “Desde o início do cinema mundial, com os irmãos Lumière em 1895…” sem chegar ao Brasil, gasta linhas e dilui o foco.

Modelo 3: com dado estatístico

Tema: invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher.

“Pesquisa do IBGE indica que as mulheres brasileiras dedicam em média o dobro de horas semanais ao trabalho doméstico e de cuidado em relação aos homens. Mesmo com essa contribuição, tal atividade segue sem reconhecimento econômico e social proporcional. A combinação entre a naturalização cultural do papel feminino no cuidado e a ausência de políticas públicas que reconheçam essa carga sustenta a invisibilidade do tema.”

Análise: dado oficial atribuído à fonte correta (IBGE), interpretação que conecta o número ao recorte, tese com duas causas (cultural + institucional). O dado não precisa ter percentual exato — “o dobro de horas semanais” é suficiente para sustentar o argumento.

Rendimento: nível 200 em C2, C3 e contribui em C4. Cuidado: citar IBGE, PNAD ou Censo Escolar sem certeza do que a pesquisa mostra é arriscado. Se você não recorda o dado, prefira o Modelo 1 (sem repertório).

Modelo 4: com citação filosófica curta

Tema: combate à desinformação no ambiente digital.

“Para Hannah Arendt, a banalidade do mal opera quando indivíduos abandonam o exercício crítico do pensamento. Essa formulação ilumina o cenário atual da desinformação digital, em que o compartilhamento acrítico de conteúdos falsos se torna prática cotidiana. A persistência do fenômeno se sustenta pela arquitetura algorítmica das plataformas e pela fragilidade da formação midiática da população.”

Análise: citação curta atribuída a autor reconhecível, paráfrase aplicada ao tema, tese com duas causas. Arendt é trazida sem cópia literal e sem rodeio. A ponte é feita na segunda frase. Tese identifica duas frentes argumentáveis (plataformas + formação midiática).

Rendimento: nível 200 em C2 e C3. Cuidado com o autor citado: Arendt, Bauman, Foucault, Beauvoir, Freire e Boaventura funcionam quando aplicados corretamente. Atribuir conceito errado ao filósofo (dizer que “Foucault defendia X” quando ele defendia o contrário) baixa a Competência 2 e a credibilidade do texto.

Modelo 5: com referência constitucional

Tema: garantia do direito à saúde mental no Brasil.

“A Constituição Federal de 1988 estabelece, em seu artigo 196, que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Apesar dessa previsão, a oferta de atendimento em saúde mental pelo Sistema Único de Saúde segue marcada por desigualdades regionais e por subfinanciamento crônico. Essa realidade decorre, sobretudo, da fragilidade dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial e do estigma social que dificulta a busca por ajuda.”

Análise: referência constitucional precisa (artigo 196), contraste com a realidade, tese com duas causas. A Constituição funciona como repertório de alto rendimento em temas de direitos — saúde, educação, moradia, segurança alimentar, igualdade.

Rendimento: nível 200 em C2 e C3. Cuidado: citar artigo da Constituição com número errado é desvio sério. Se você não recorda o artigo exato, prefira “a Constituição Federal de 1988 estabelece a saúde como direito de todos e dever do Estado” sem citar o número.

Modelo 6: com obra literária ou artística

Tema: estigma sobre transtornos mentais no Brasil.

“Em ‘O alienista’, Machado de Assis ironiza a fronteira tênue entre saúde e doença mental ao narrar a internação arbitrária de cidadãos pela autoridade médica. Mais de um século depois, o estigma sobre transtornos mentais permanece, agora menos institucional e mais cultural. A persistência se explica pela escassez de educação em saúde mental e pela representação ainda caricatural dessas condições nos meios de comunicação.”

Análise: obra literária canônica brasileira, ponte temática para o presente, tese com duas causas. Machado, Graciliano Ramos, Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus, Drummond e Lispector funcionam quando há ligação real com o tema.

Rendimento: nível 200 em C2 e C3. Vantagem do repertório literário: dificilmente é citado com inexatidão. Cuidado: resumir o enredo da obra ocupa linhas sem cumprir função. A menção precisa ser breve.

Modelo 7: por contradição

Tema: caminhos para combater a difusão de discurso de ódio na internet.

“A liberdade de expressão consolidou-se como pilar das sociedades democráticas modernas. No ambiente digital brasileiro, porém, esse princípio passou a ser invocado para legitimar a difusão de discursos discriminatórios contra grupos sociais vulneráveis. O paradoxo sustenta-se pela frouxidão da regulação das plataformas digitais e pela naturalização social desse tipo de manifestação.”

Análise: princípio aceito, paradoxo da realidade, tese com duas causas. Estrutura por contradição funciona para temas com tensão entre direito formal e prática social (saúde, educação, liberdade de expressão, igualdade racial).

Rendimento: nível 200 em C2 e C3. Mostra maturidade argumentativa por reconhecer a complexidade da questão — não cai no “X é problema, ponto”.

Modelo 8: por pergunta retórica seguida de tese

Tema: invisibilidade da educação financeira no currículo escolar brasileiro.

“Por que estudantes brasileiros concluem o ensino médio sem domínio mínimo sobre orçamento, juros e planejamento financeiro? Apesar de a Base Nacional Comum Curricular contemplar competências relacionadas a esses temas, sua aplicação prática segue insuficiente. A lacuna decorre da ausência de formação docente específica e da pressão curricular concentrada em disciplinas tradicionais.”

Análise: pergunta retórica que delimita o problema, contextualização breve com referência à BNCC, tese com duas causas. A pergunta inicial só funciona se a tese a responde com precisão — pergunta vaga seguida de tese vaga não rende.

Rendimento: nível 180-200 em C2 e C3. Estilo arriscado: pergunta retórica mal posta pode parecer recurso de marketing. Use no máximo uma pergunta em todo o texto.

Erros que aparecem em introduções de faixa intermediária

Tema sem recorte específico: “A cultura é importante” não delimita. O recorte do tema precisa aparecer com palavras concretas.

Tese genérica: “É preciso resolver esse problema” não é tese. Tese responde por que ou como, abrindo caminho para o desenvolvimento.

Contextualização longa: 4 linhas de “Desde a Antiguidade clássica…” gastam espaço sem cumprir função. Contextualização de 1 a 2 linhas é o ideal.

Repertório forçado: citar Aristóteles, Black Mirror ou Mahatma Gandhi em qualquer tema, sem ponte argumentativa, é decoração vazia. Repertório que não conduz à tese pode baixar a C3.

Dado inventado: “90% dos brasileiros não têm acesso” sem fonte real desconta em C2 e na credibilidade.

Tese absoluta: “O Estado é o único culpado” é difícil de defender. Prefira teses proporcionais.

Para tratamento mais profundo do uso de repertório, veja Repertório sociocultural ENEM: como escolher e usar.

Como treinar

Pegue 3 temas antigos do ENEM e escreva os 8 modelos para cada um. Compare lado a lado: qual versão apresenta a tese com mais clareza? Qual abre caminho mais natural para D1 e D2? Esse exercício, em 2 horas de estudo, costuma resolver o bloqueio inicial e dar repertório para variar a abertura em prova real sem decorar fórmula única.

A meta não é dominar os 8 modelos com perfeição. É reconhecer qual deles cabe melhor em cada tipo de tema — e ter pelo menos 2 modelos confortáveis para usar quando o tema sair em prova. Para o passo a passo de adaptação ao recorte, Como começar uma introdução de redação a partir da tese e 40 frases para introdução de redação ENEM por função.

Como o Redafy avalia sua introdução

A correção do Redafy avalia se a introdução cumpre as três funções (contextualização, problema, tese), se a tese abre caminho para o desenvolvimento e se o repertório (quando presente) está bem articulado ao argumento. Em vez de só receber a nota das Competências 2 e 3, você vê o comentário no próprio parágrafo de introdução indicando se o recorte está específico, se a tese é argumentável e se o mapa para D1 e D2 está claro — com sugestão de reescrita orientada para o nível seguinte.

Perguntas frequentes

Qual o melhor modelo de introdução para a redação ENEM?
Não existe modelo universal. As introduções nota 1000 variam — algumas usam repertório histórico, outras citam dado, outras nem trazem repertório explícito. O que todas têm em comum é tese clara nas duas últimas linhas, recorte específico do tema e estrutura enxuta de 4 a 6 linhas. O modelo certo é o que se adapta ao seu tema e ao seu domínio de repertório. Decorar um modelo único e aplicar em qualquer tema costuma render genérico em vez de impactante.
Posso usar dado inventado ou aproximado na introdução?
Não. Dado falso ou impreciso baixa a Competência 2 e pode comprometer a credibilidade do texto inteiro. Se você não lembra o número exato, evite citar. Frases como 'segundo o IBGE, milhões de brasileiros não têm acesso' funcionam sem número específico. Se quiser citar dado, prefira fontes que você de fato recorda (IBGE, PNAD, Censo Escolar, Atlas da Violência, Fiocruz) e indicadores aproximados em vez de percentuais inventados.
Quantas linhas a introdução deve ter?
Entre 4 e 6 linhas das 30 disponíveis. Esse intervalo cabe contextualização breve, apresentação do problema e tese com dois argumentos. Introduções acima de 7 linhas costumam comer espaço dos parágrafos de desenvolvimento (que pesam mais na nota total). Introduções abaixo de 3 linhas tendem a sacrificar tese ou contextualização — o avaliador chega ao D1 sem entender o recorte do texto.
É melhor começar com contextualização ampla ou ir direto à tese?
Contextualização curta, no máximo 1 a 2 linhas, antes de apresentar o problema. Começar direto pela tese sem contextualização tende a soar abrupto e o avaliador pode perder o recorte. Por outro lado, contextualização longa do tipo 'Desde os primórdios da humanidade...' ocupa linhas sem cumprir função. O ideal é ancorar o tema em um marco concreto (Constituição, dado recente, episódio histórico específico) e migrar rapidamente para o problema e a tese.
Citação de filósofo na primeira linha funciona?
Funciona quando a citação é curta, atribuída corretamente e ligada à tese sem rodeio. 'Para Hannah Arendt, a banalidade do mal opera quando indivíduos deixam de pensar criticamente' pode abrir tema sobre desinformação se a tese conectar o conceito ao problema atual. Citação decorada sem ponte argumentativa ocupa 2 linhas sem rendimento. Se a referência exige 3 linhas para ser explicada antes da tese, guarde-a para o desenvolvimento.
A introdução precisa anunciar exatamente os dois argumentos do desenvolvimento?
Não literalmente, mas a tese precisa abrir caminho para eles. Se D1 trata de causa institucional e D2 de causa cultural, a tese pode dizer 'o problema persiste pela atuação estatal insuficiente e pela naturalização social' — duas frentes claras. Tese vaga ('o problema tem várias causas') deixa o desenvolvimento sem direção e o avaliador percebe a falta de projeto de texto, descontando em Competência 3. Mapeamento explícito entre tese e D1/D2 é o jeito mais seguro de garantir projeto de texto coerente.
Posso escrever a introdução depois de terminar o desenvolvimento?
Pode, e em muitos casos é a melhor estratégia. Rascunhar tese e dois argumentos no esboço, escrever o desenvolvimento e a conclusão, e só depois redigir a introdução final permite alinhar o que foi prometido com o que foi entregue. O risco é tempo: deixe pelo menos 5 minutos no fim para a introdução. Em prova real, muitos estudantes que tiraram nota 1000 relatam ter ajustado a introdução por último — o que mostra que ela funciona mais como mapa do texto do que como abertura cronológica do raciocínio.